Ao abrir Silêncios na história: Tem índio me espiando, dizia o meu pai, é impossível não sentir a força contida na história a qual foi calada. O novo lançamento da Afluente, assinado pela artista e autora Josely Carvalho, é um mergulho nas marcas profundas deixadas pela expropriação das companhias colonizadoras e por latifundiários, apoiados pelo governo do Paraná, especialmente sobre o povo Xetá — quase dizimado a partir da década de 1940.

 

A partir de lembranças familiares, registros históricos e intervenções poéticas, Carvalho constrói um livro que é, ao mesmo tempo, íntimo e coletivo. O fio condutor é a memória fragmentada, mas insistente de um povo indígena cuja existência foi negada por décadas e que ainda hoje luta para sobreviver e regenerar sua identidade. 

 

Silêncios na história: Tem índio me espiando, dizia o meu pai, está disponível em versão bilíngue – português e inglês – e em duas edições: uma padrão, e outra limitada, com assinatura da autora. 

 

Mais do que um livro, a obra é também um gesto de solidariedade, no qual parte do valor arrecadado com as vendas será destinado à preservação do povo Xetá, contribuindo para o fortalecimento de sua cultura e memória.

 

Josely Carvalho, que tem uma trajetória marcada por obras que cruzam arte, política e afetos, nos convida a escutar. Escutar os silêncios como vestígios de vidas, territórios, saberes, histórias e identidades que resistem, mesmo quando há a tentativa de apagá-los.


Com sensibilidade e rigor, Carvalho transforma o livro em um espaço de escuta ativa — um lugar em que a arte se alia à memória como instrumento de resistência. Silêncios na história é, sobretudo, uma convocação para lembrar, reparar e escutar com atenção o que ainda pulsa sob o silêncio e a travessia pela resistência do povo Xetá.